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'É o único tempo que tenho': passageiros transformam viagens de metrô em momentos de leitura

World 1 source 1 country 55m ago

Leitores transformam viagens de metrô em momentos de leitura em SP Sentados lado a lado em um banco do metrô da Linha 2-Verde, em São Paulo, a artista e professora Mariel Bonzamota, de 35 anos, e o assessor de TI Eduardo Yudi Arata, de 29, compartilham uma cena cada vez mais rara nos vagões: os dois estão concentrados em um livro. Ela lê "A Neblina", romance escrito por seu aluno Luís de Oliveira. Ele relê "Nada Pode me Ferir", autobiografia do ex-militar norte-americano David Goggins, livro que conheceu depois de perder uma das pernas, em 2023.

Para os dois, o trajeto não é apenas um caminho entre casa e trabalho. É um intervalo reservado para a leitura — e até um incentivo antes de ir para a academia. "Ler esse livro foi um recurso para me dar um ânimo, sabe?

Foi como se algo me dissesse 'bora para cima', porque esse livro é de motivação, treinamentos insanos que ele [David Goggins] fazia. E ele superou tudo isso com problemas de coração, o cara foi 'para cima'", diz Eduardo. A artista e professora Mariel Bonzamota, de 35 anos, e o assessor de TI Eduardo Yudi Arata, de 29.

João de Mari/g1 No dia 14 de julho, a cena se repetiu em diferentes linhas do metrô de São Paulo. Foi para entender esse hábito que o g1 percorreu estações e perguntou aos passageiros uma questão simples: “O que você está lendo?” (veja o vídeo acima). As respostas revelam uma mistura de gêneros entre romances, mangás, suspense policial, biografias, livros de educação financeira e até contos indianos.

Mas há algo em comum entre quase todos os leitores: o metrô é um dos poucos momentos do dia em que conseguem abrir um livro. “Este é o tempo que eu tenho para ler”, resume a enfermeira Tamires Moraes, de 38 anos, enquanto se apoia em uma barra de ferro do metrô. Ela faz diariamente o trajeto entre as estações Saúde, na Zona Sul, e a Trianon-Masp, na região central.

São cerca de 40 minutos por dia dentro do transporte público — praticamente todo o tempo que consegue dedicar aos livros. Com uma bebê pequena em casa e uma rotina de trabalho intensa, Tamires conta que precisou adaptar o hábito. Antes de ser mãe, assinava um clube de livros.

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