Ônibus estacionados em garagem na Avenida Guido Caloi, Zona Sul de São Paulo, durante a paralização, greve dos motoristas e trocadores de ônibus por melhorias nos salários na cidade de São Paulo. VAN CAMPOS/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo, apura possíveis vínculos entre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e 12 das 22 empresas que operam o sistema de ônibus da capital. A investigação levou à prisão do ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira.
O nome do vereador Milton Leite (União), ex-presidente da Câmara Municipal, também aparece em decisões judiciais relacionadas ao caso; as suspeitas ainda são objeto de investigação. Mas por que o transporte coletivo desperta tanto o interesse do PCC? O professor Ciro Biderman, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), adianta que a explicação não está diretamente ligada à quantidade de dinheiro vivo que circula nos ônibus.
A avaliação considera a evolução do sistema de transporte ao longo dos anos, com a redução da circulação de cédulas e a ampliação de meios eletrônicos de pagamento, como o Bilhete Único. O interesse da facção, na verdade, estaria relacionado à possibilidade de fazer grandes aplicações financeiras (ganhar com juros), transformar o dinheiro ilícito em receita formal (lavar o dinheiro), ter um fluxo diário de dinheiro e manter relações com agentes públicos. Por que ônibus, e não outros serviços públicos?
Na avaliação do pesquisador, os ônibus apresentam uma combinação específica de características: Exige grande aporte de dinheiro, o que facilita a lavagem; Tem uma operação tecnicamente menos complexa do que a de outros serviços de infraestrutura; Conta com fluxo diário e grande de dinheiro circulando. Uma rodovia, por exemplo, é muito mais complicado, apenas meia dúzia de pessoas são especialistas. É muito mais difícil, mais complexo", apontou.
Ou seja, embora a operação dos ônibus não seja simples, a atividade pode ser considerada relativamente acessível em comparação com setores que demandam estruturas técnicas e conhecimentos muito especializados. Necessidade da aparência lícita Lavar dinheiro exige uma formalização. Se ele não tem uma parte lícita, o dinheiro teria que ficar …
Operação investiga infiltração do PCC no transporte público de São Paulo O ex-vereador de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital. Segundo os investigadores, ele seria responsável diretamente pela operação de algumas empresas que estariam sob controle do PCC e seria o dono de fato da Transwolff. Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado, e a polícia passou a considerá-lo foragido.
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